Crônica de Áurea Cunha 

Rio Paraná

Rio Paraná, para todos!
Rio  de muitos peixes e pescadores solitários.
Rio da pesca permitida e negócios proibidos.
Rio dos dourados exibidos e outros menos conhecidos.
Paraná, Rio de ponte e de amizades.
Rio que mantém sua individualidade até o encontro nupcial com sua amada  i-guaçu,
para depois abandonar-se em seus braços, tornando se um com ela até o destino mar.
Amante fiel, repete, repete e repete  sempre esse encontro de romance eterno.

Paraná, Rio sitiado por mansões e palafitas, ricos e pobres, histórias e memórias.
Paraná, Rio gigante que não julga,
testemunha a baixeza e a santidade do homem com a mesma calma.
Fala sem falar, ensina sem querer, aceita  sem reclamar as vicissitudes do vento.
Paraná, Rio dos desesperados que fazem seu último mergulho em suas pedras quentes.
Ah! Se eles esperassem  só mais um pouco  aprenderiam  de seus ensinos
e veriam que até as pedras mudam.
Paraná, Rio de passagens, caminhos multiplos que levam a um único lugar.
Rio vital , Rio fatal. Paraná! Para tudo,  para nada , nunca pára.

Áurea Cunha é fotojornalista em Foz do Iguaçu. O texto Rio Paraná foi extraido do Tirando de Letra, projeto da Guatá (www.guata.com.br). A fotografia é de Áurea Cunha.

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